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A aposta de Zuzu Linhares

27/01/16

Li recentemente "Deus, Um Delírio", do biólogo inglês Richard Dawkins. Chamou-me a atenção, de modo particular, um trecho do livro, A Aposta de Pascal. Transcrevo:

"O grande matemático francês Blaise Pascal achava que, por mais
improvável que fosse a existência de Deus, há uma assimetria ainda maior na punição por errar no palpite. É melhor acreditar em Deus, porque se você estiver certo poderá ganhar o júbilo eterno, e se estiver
errado não vai fazer a menor diferença. Por outro lado, se você não acredita em Deus e estiver errado, será amaldiçoado para todo o sempre, e se estiver certo não vai fazer diferença. Pensando assim, a decisão é óbvia. Acredite em Deus"

O autor esclarece mais adiante que Pascal estava provavelmente brincando. E eu esclareço que chamou minha atenção por obrigar-me a pensar. Ou como exercício literário. Não sei como alguém do século XVII chamava isso. Mas hoje eu chamaria de... Lei de Gerson, para que ninguém venha depois dizer que eu falei em covardia intelectual. Eu sinto uma alegria que, se pudesse ser transformada em um sorriso, não caberia em nenhuma boca do universo. A alegria de estar vivo. Evento maravilhoso a vida! Fico extasiado diante de uma planta brotando do solo, crescendo, frutificando, gerando mais sementes... Abestalhado e insignificante ante o céu estrelado, tentando debalde imaginar o que existe além, muitíssimo além da última luz que toca meus olhos. Mas recuso-me a praticar uma fé compensatória, a garantir um quitinete no céu. Não estaria sendo honesto com a divindade. Não me preocupo em ser bom para ser recompensado. Tento ser humano, racional e justo. Nem sempre consigo. Não acho que quando morrer vá para o céu. Nem pro inferno, Deus me livre!

Os seres humanos têm dois grandes desejos: o segundo é ir pro céu, o primeiro, não morrer. Eu só tenho um: ficar aqui mesmo. O mistério está aqui. Será que eu também estou de brincadeirinha?

Por Zuzu Linhares

 


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