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Ataque do governo Bolsonaro ao Banco do Brasil merece reação à altura dos bancários: é hora de mobilizar e reagir

13/01/21

Um governo autoritário que ataca a classe trabalhadora em meio à maior crise sanitária dos últimos 100 anos merece uma reação à altura. É esse o sentimento que deve guiar os bancários e bancárias do país após o anúncio da reestruturação do Banco do Brasil que esconde intenções ainda piores: a entrega de mais um patrimônio nacional à iniciativa privada.

Aliás, reestruturação é o nome bonito que a dupla Bolsonaro e Paulo Guedes encontrou para o desmonte do Banco. 

Os trabalhadores nas cidades devem pressionar os sindicatos e as centrais para que convoquem assembleias e paralisem as atividades remotas e presenciais antes que o Banco prejudique ainda mais a sociedade. Nesta quinta-feira (14), o Sindicato do Rio Grande do Norte se reúne com a superintendência regional para ouvir o que a direção do Banco tem a dizer e cobrar alternativas:

Vamos nos reunir com a nova direção da Superintendência regional para saber o que eles têm e dizer e cobrar que ninguém seja descomissionado, que ninguém seja obrigado a sair da cidade, ou seja, vamos levar a indignação da categoria e mostrar que não vamos aceitar esse ataque de braços cruzados. Queremos respostas e soluções para esse ataque sem precedentes contra os bancários”, afirmou o coordenador-geral do Sindicato Eduardo Xavier.

Na avaliação de Xavier, o programa de demissão voluntária que promete acabar com 5 mil empregos e fechar mais de 500 agências, algumas convertidas em postos de atendimento, não pode ser dissociado de ataques a outras empresas importantes do país, como Petrobras, Correios  e a Eletrobras, estatais que ajudaram a moldar a identidade nacional e estão com os dias contados.

- Bolsonaro e Paulo Guedes avisaram desde as eleições que isso ia acontecer. Não é a primeira reestruturação, já passamos pela de 2007, a de 2010, a de 2016, mas essa de agora é a pior e a mais brutal de todas elas. É como a reforma da Previdência, a última é sempre pior que as anteriores”, disse.

Rio Grande do Norte

Só no Rio Grande  do Norte serão pelo menos três agências fechadas em definitivo: as unidades da avenida Amintas Barros, em Natal; da Cohabinal, em Parnamrim; e Santa Luzia, em Mossoró. Outras três serão transformadas em postos de atendimento: Guamaré, Alto do Rodrigues e Jardim do Seridó. Também deve ser fechado o posto de atendimento de Tangará e outro em Natal, localizado no TRT, que há quatro anos era também uma agência completa. 

Além de piorar as condições de trabalho para os bancários, as mudanças afetam diretamente a qualidade do serviço oferecido aos clientes. Por isso, mais do que nunca, é necessária uma ação conjunta para barrar esses retrocessos em plena pandemia.

- Eles falam em PDV, mas para muita gente não vai ser uma opção. Como vai haver extinção de cargos, não vai ter espaço para todo mundo nas agências e muitos terão que mudar de cidade. A agência do Alecrim, por exemplo, vai perder 7 gerentes e 4 assistentes. Algumas dessas pessoas não conseguirão se realocar. Nos Bancos privados o temor do bancário é ser demitido, já que não tem estabilidade. No Banco do Brasil e na Caixa o medo maior é de perder a função, já que há casos em que a gratificação chega a representar mais de 90% do salário do bancário”, conta.

Redução de salários e fim de gratificações

O diretor do Sindicato do RN Juvêncio Hemetério reforça a avaliação do coordenador-geral da entidade e destaca que as mudanças para pior na vida dos bancários vão além do que o Banco divulgou na imprensa:

“Haverá redução de salários porque boa parte dos que têm função gratificada perderá. Algumas funções também serão extintas, como gerente geral, gerentes de relacionamento e haverá redução do número de escriturários, que já não têm comissão”, diz.

Funcionário aposentado do Banco do Brasil, o sindicalista acrescenta ainda a extinção da função de caixa, deixando cerca de 4.200 pessoas sem a gratificação do cargo.

“Temos 10 mil no Brasil, e em torno de 180 no RN. Boa parte já trabalha como “substituto”. Agora todos os caixas vão perder a gratificação mensal. Todos serão caixas substitutos sem a gratificação permanente”, explica.

 

 


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