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Falta de investimentos e obstáculos no acesso deixam 2,3 milhões de crianças sem creche no Brasil

19/08/25

Quase 2,3 milhões de crianças de até 3 anos estão fora das creches no Brasil. O dado, divulgado em agosto pela organização Todos pela Educação, com base na Pnad Contínua do IBGE e no Censo Escolar, revela que esse direito básico é negado principalmente às famílias mais pobres, que enfrentam barreiras de acesso e ausência de vagas.
 
Desigualdade deixa metas do PNE para trás
O acesso à creche é profundamente desigual. Entre os 25% mais ricos, 60% das crianças estão matriculadas. Já entre os 25% mais pobres, esse índice cai para 30,6%. A diferença, que há nove anos era de 22 pontos percentuais, hoje chega a 29,4. Norte e Nordeste apresentam os piores indicadores, reforçando o peso da exclusão social e regional no país.
 
O Plano Nacional de Educação (PNE) previa que, até 2024, pelo menos 50% das crianças de até 3 anos deveriam estar matriculadas em creches. Mas a taxa atual é de apenas 41,2%, um avanço lento e insuficiente diante da urgência da questão.
 
Obstáculos no acesso, obras paradas e descaso
Ainda segundo o estudo, a falta de vagas e de unidades próximas de casa são os principais obstáculos. Entre os 20% mais pobres, 28,3% das crianças não conseguem frequentar uma creche mesmo havendo demanda. Entre os mais ricos, esse índice é de 6,1%.
 
A responsabilidade pela educação infantil é das prefeituras, mas os governos estaduais e federal devem garantir apoio. Porém, a realidade é de cortes no orçamento e de políticas de ajuste fiscal que atingem duramente o setor.
 
O relatório Tá de Pé, da Transparência Brasil, mostrou que, entre 2007 e 2022, de 15.732 obras de creches e escolas financiadas pela União, apenas pouco mais da metade (8.121) foi concluída.
 
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que 72% das obras de educação infantil e fundamental inspecionadas tinham inconsistências graves entre os laudos enviados ao FNDE e a realidade das construções.
 
A luta das trabalhadoras
A ausência de creches públicas de qualidade atinge de forma direta as mulheres trabalhadoras, que carregam o peso do cuidado com a infância. Garantir esse direito é uma reivindicação histórica da classe trabalhadora e somente com mobilização e independência em relação aos governos será possível avançar na conquista de uma educação infantil pública, universal e de qualidade.

Com informações da CSP-Conlutas